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Perífrase: a arte de encher linguíça

Tome-se como exemplo uma situação quotidiana em que um funcionário se atrasou e não tem uma boa desculpa para dar ao seu superior imediato. Poderíamos nos referir a este superior também como chefe ou boss em inglês. O que o empregado atrasado diria? De que artimanhas linguísticas ele se utilizaria para explicar os motivos pelos quais está frequentemente chegando depois do início de sua jornada de trabalho?

A língua portuguesa é rica em recursos semânticos que usamos para nos expressar inconscientemente.  Vejamos o exemplo de uma frase do atrasado: "Chefe, o Senhor sabe que, devido às obras sem fim de nossa cidade e ao crescimento demográfico, o trânsito é sempre caótico, os transportes públicos estão sempre lotados, além disso, as linhas de trens e ônibus ou circulam com atraso ou partem mais cedo. Então é bastante complicado para nós chegarmos no horário. Por isso me atrasei. Tudo isto para dizer: "Me atrasei, porque perdi ônibus". Para estender essa frase foi necessário fazer uso do recurso semântico conhecido como perífrase, que consiste em girar em torno de uma frase como uma forma de expressar-se. Em outras palavras, ser indireto ou fazer rodeios. Para tanto, se utilizam mais palavras ou expressões para distender o texto sem entrar exatamente no assunto, ou na linguagem popular, "encher linguíça".

O chefe provavelmente sentiria alguma empatia e daria a ele mais uma chance. Assim, o funcionário atrasado ficaria conhecido como o "Forrest Gump" ou o "O Contador de Histórias" devido às suas habilidades linguísticas, isto é, sua habilidade de encher linguíça e sua extrema cara de pau.

Simone Alves é professora de Letras e Coach de Performance Comportamental.

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